Iporá-GO, Quinta-feira, 09 de setembro de 2010 Periód. Elet Capa Ouvidoria
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A Grande Arte Desprezada

Por: Anderson André*
Quando uma criança começa a imaginar seu futuro logo escolhe uma profissão para namorar. Uns querem ser médicos, outros dentistas, jogadores de futebol, modelos, cantores e assim por diante, o que nunca vemos é o desejo de serem vendedores. As pessoas ao longo da história idealizam o vendedor como sendo uma pessoa que não tem opção de trabalho e por isso precisa bater de porta em porta no horário mais inconveniente possível para oferecer as bugingangas mais supérfluas do mundo. Um trabalho desses é sempre mal visto por todos, afinal quem não tem um amigo ou parente que se estrepou tentando ser vendedor? Começando sua vida profissional pelo emprego do jornal que dizia: “Possibilidade de ganhos ilimitados, não é necessário experiência nem referência”. Quase todos os marinheiros de primeira viagem embarcam nesse “cruzeiro rumo ao eldorado” acreditando que o primeiro emprego não é um bicho tão feio assim, só vão descobrir que o bicho é feio mesmo quando percebem que vender é mais complicado do que se pensa, porém extremamente útil.

A venda por sua vez é bastante interessante, dias atrás li em uma revista especializada (me perdoem por não me lembrar a fonte) um assunto que me chamou a atenção, segundo a matéria, uma pesquisa foi realizada na Europa e descobriram que 98% da riqueza mundial eram advinda de algum tipo de venda. Bill Gates não ficou bilionário porque desenvolveu o sistema operacional windows, aliás ele nem desenvolveu, comprou o projeto de jovens estudantes, seu grande trunfo foi justamente a escala de venda que conseguiu com seu sistema. Samuel Klein só se preocupou em produzir móveis depois que as Casas Bahia já era uma grande empresa comercial. A marca Coca Cola hoje vale mais do que toda sua estrutura física, isso porque seu nome representa uma grande capacidade de venda.

Se realmente analisarmos, perceberemos que a venda está em tudo, até mesmo naquilo que achamos que não tem nenhum relacionamento com ela, um médico por mais conhecimento técnico que possua se não vender sua imagem junto aos pacientes, ao dono do hospital e a comunidade jamais conseguirá sucesso profissional, um advogado precisa vender constantemente seus argumentos e sua postura junto a juizes e clientes, um professor precisa vender o conteúdo da disciplina que ministra a seus alunos, e os políticos, ah, esses precisam ser verdadeiros vendedores de geladeiras para esquimós, mesmo com processos por ações ilícitas correndo em suas costas muitos ainda conseguem se reeleger. Sem perceberem isso, muitos jovens “nerds” ainda acreditam que nada substitui livros, computadores e vídeo games, não acham que a interação com as outras pessoas somado a uma boa dose de espirituosidade também faça parte do desenvolvimento pessoal.

Quem também não conhece amigos ou parentes diplomados com uma boa bagagem teórica, onde, em muitos casos seu histórico escolar faria inveja a Einstein, no entanto não conseguem colocação no mercado de trabalho, isso também está relacionado a arte de vender. Aliás, eu nunca conheci uma empresa que contratou algum funcionário pelo seu histórico escolar, mas já conheci várias que contrataram um funcionário depois de uma bela entrevista. Esse tema é tão importante que deveria se transformar em uma disciplina básica para o ensino fundamental e médio em nossas escolas, se assim fosse, provavelmente conheceríamos menos gênios desempregados. Segundo ABI (Associação Brasileira dos Inventores) de cada cem patentes registradas apenas duas se transformam em produtos comercializados, dessa forma acho que o problema do brasileiro não é criar, mas sim vender.

Lendo um texto da coluna do Max Gehringer na revista exame a um certo tempo atrás ele mencionou um tal Buter, que na realidade nem o próprio Max sabe quem é, esse Buter disse uma coisa extremamente interessante que quero ressaltar aqui para fechar o texto, ele citou a seguinte frase: “ Qualquer tolo pode pintar um quadro, mas somente um gênio consegue vende-lo”.

*Anderson André é economista e professor da FAI e FMB.


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Professor(a):
Leandro Ribeiro Miwa
Disciplina:
Etica Profissional

Titulação:
Graduado em Direito e pós-graduado em Direito Processual do Trabalho e Direito Processual Civil.

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