Iporá-GO, Quinta-feira, 09 de setembro de 2010 Periód. Elet Capa Ouvidoria
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Ensino superior


Emanuel Dias de Oliveira e Silva Existe um consenso no meio acadêmico de que a universidade no Brasil surge com a criação da USP, em 1934. Assim, o vestibular como um rito de passagem, como um acontecimento social, assume os contornos dos dias atuais na segunda metade do século 20. A industrialização, a inversão da estrutura demográfica com quase 80% da população vivendo nas cidades e a participação da mulher na composição da população economicamente ativa são fatores que contribuíram para legitimar a importância que o vestibular representa na nossa sociedade.


O caráter seletivo do acesso ao ensino universitário é uma questão delicada nos países desenvolvidos, ex-repúblicas socialistas, do Terceiro Mundo ou em vias de desenvolvimento. No início da década, 90% dos estudantes que concluíram o 2º grau na Alemanha iniciaram estudos universitários. A demanda superior ao número de vagas, em algumas carreiras, levou o governo a rever essa política e instituir o princípio numerus clausus, isto é, determinar o número de vagas de acordo com a previsão de postos de trabalho. Hoje, naquele país, o acesso à universidade é definido por três critérios: a) maturidade universitária geral – rendimento no 2º grau, b) certificado de maturidade universitária, que permite o acesso a carreiras técnicas e c) o exame de admissão sem certificado de maturidade, destinado a candidatos entre 25 e 40 anos com experiência profissional.


Na França, o estudante participa, inicialmente, do exame nacional do bacharelato (2º grau). Se aprovado, tem acesso ao ensino superior. A seleção de fato ocorre no 2º ano de estudos,quando deve concluir e ser aprovado no Diploma de Estudos Universitários Gerais (Deug), ou primeiro ciclo, antes de ser admitido no segundo ciclo que, ao final de dois anos, lhe concede o diploma de licenciatura (3° ano) ou mestrado (4° ano).


O sistema inglês combina seleção e permanência com o financiamento de bolsas de estudo. Exames altamente competitivos se destinam a três tipos de cursos: de 1º grau (equivalentes ao nosso curso superior), mestrado ou PhD e os que não conferem grau, mas um diploma de curso em educação continuada.


Nos EUA, os requisitos de acesso são diferenciados. A estrutura do ensino universitário é dividida em universidades e colleges públicos e privados, cabendo ao segundo quase o dobro das matrículas. No Japão, a organização da educação é orientada em função das necessidades do sistema produtivo. O sistema de exames do ingresso articula a escola de ensino médio, a universidade e o mercado de trabalho.


Na ex-União Soviética, a idéia de uma educação superior aberta a todos os estudantes, sem requisitos prévios, não prosperou. Hoje, a seleção nesses países considera a performance durante os cursos de 1º e 2º graus, e a oferta de vagas de nível superior é baseada no princípio do numerus clausus.


Em Cuba, adota-se o modelo soviético. No modelo de acesso de elite, menos de 10% da população, em idade de ingresso, têm acesso ao ensino superior, no modelo de transição para a escolaridade de massa, cerca de 15% dessa população têm acesso ao ensino, no modelo de acesso de massas, a média é de 20%, e, no modelo universal, essa média está entre 35% a 40%. Os países da América Latina se situam entre o primeiro e o segundo grupos.


No México, cada universidade adota o seu próprio critério de admissão. Na Venezuela, é considerada a média das notas escolares durante os quatro primeiros anos de bacharelado (nível médio), que tem peso de 60% e prova de aptidão, com peso de 40%. O fim do regime militar na Argentina instituiu o acesso irrestrito. Na prática, como no modelo francês, a seleção ocorre nessa etapa. A questão do ensino universitário não pode estar dissociada das questões mais gerais da educação de um povo: está ligada às políticas educacionais do ensino fundamental, médio, técnico e da educação continuada. Além da baixa oferta de vagas no ensino universitário, se comparada com as dos países do primeiro mundo, deparamos-nos com o elevado índice de evasão universitária.


Isso nos exige o esforço de identificar necessidades do mercado e oferecer novos cursos, novas vagas em que, de fato, a população precisa de serviço e integrar a oferta ao mercado, de modo que possamos otimizar investimentos, criar novas opções de cursos noturnos, cursos a distância e um sistema eficiente de avaliação. Precisamos criar meios que informem como, de fato, são ministrados os conteúdos, bem como os objetivos dos cursos universitários. A falta de conhecimentos é uma das razões da evasão no 3º grau. Precisamos discutir a validade do vestibular como meio universal, no Brasil, de avaliação de acesso do estudante ao ensino universitário. O modelo de avaliação continuada, por exemplo, além de integrar o ensino do 2º e 3º graus, é um fator de qualificação do processo. É preciso repensar o acesso às universidades, fortalecendo o ensino de base.

fonte: Jornal do Comercio, 18/05/2007 - Recife PE


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Professor(a):
Débora Sirno Santos
Disciplina:
Fundamentos da Administração; Gestão Organizacional; Gestão de Rec. Materiais e Patrimoniais

Titulação:
Administração de Empresas UCG – 2007
MBA Recursos Humanos - UNI ANHANGUERA-2007-2008
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